Truco, Coreana e VO2

Semana do dia 12 ao dia 18 de maio de 2025

 

Truco

Se tem duas coisas que me irritam e que, aliás, são a mesma coisa, mas para duas modalidades diferentes, é a falta de lógica para as regras do tênis, esporte; e para o truco, jogo de cartas. 

Eu fazia aula de tênis quando criança e, talvez por uma ambliopia, um astigmatismo de grau alto, uma falta de noção de espaço causada por um estirão que me fez ser o "paredão" da sala antes de todos... por tudo isso, eu não acertava nunca a raquete na bola.

Aquela bola amarela (verde limão), só de pensar... aquele laranja (marrom queimado) do saibro, já começa a pairar: aos domingos, meus tios e primos jogavam tênis no clube, então íamos almoçar em família no restaurante ao lado das quadras. Não era um assunto mas estava no ar. Ar que minha raquete atravessava sem nem a bola tocar. Pior, me deixava louca a falta de lógica desde a contagem dos pontos: (vou abrir o motor de pesquisa agora, já que realmente não sei o primeiro ponto) 15. Ok. Mais 15? 30. Ok. Mais um ponto de 15, daria 45? Não! O próximo ponto é 40. Uh? Game?

E o truco. Valete-Dama-Rei. Não. A carta mais alta é a seguinte da que aparece na mesa. E a ordem é Dama-Valete-Rei. E a gritaria que segue? Não entendo nada. Por que então o êxtase? 

 

Coreana

Outro dia escrevi aqui sobre como elogiaram minha pele depois que comecei a usar o óleo de semente de uva na sequência do meu sérum hidratante. Pois bem, na verdade me rendi também, ou melhor, aprendi enfim a usar um óleo demaquilante para o rosto. Entendi que não era para usar apenas o óleo demaquilante e, sim, fazer uma uma dupla limpeza. Agora, ao entrar no banho, no final do dia, passo o óleo demaquilante, massageio meu rosto, enxaguo. Depois, passo o gel de limpeza facial e enxáguo. Antes só fazia esse último passo. Agora, minha pele está muito muito mais hidratada, viçosa! Já me perguntaram se eu tinha passado hidratante no rosto depois do banho e, na verdade, era só a pele com os cuidados adequados. 

Uma inspiração da rotina coreana de beleza, especialmente depois que comecei a usar a máscara de cabelos que fez sucesso na internet no início do ano — e que realmente vale a fama — e que vem do país vizinho, Japão.

Ao ver o quanto meu rosto fica feliz depois de irrigado graças a uma sessão de spinning, de corrida, ou de virar de ponta cabeça nas posturas do yoga, nessa era de ácidos e anti-idade, busquei incentivar a saúde que vem de dentro. 

 

VO2

Falando em saúde, se, no início do ano passado, a minha endocrinologista já tinha cantado a bola sobre o monitoramento do sono e hoje vejo várias pessoas usando o anel ou postando sobre dispositivos afins, agora comecei a ouvir sobre um tal de VO2: algo sobre a saturação do oxigênio no sangue.

Acontece que eu comecei a sentir meu coração bater mais forte há algumas semanas e, enquanto esperava chegar a data da consulta com o cardiologista, comecei a usar o relógio Garmin do meu namorado. Fiquei viciada, querendo acompanhar o que acontecia, em números.

Longevidade é um tema que aparecia até nas manchetes do Estadão neste semestre. Vi médicos postarem que estão usando sensor para monitoramento contínuo da glicose — sem terem diabetes — para promover uma vida mais longa. Mas e a qualidade dessa vida? Eu quero uma vida longa, mas e a vida de agora? Precisa mesmo ser medida em números? É maravilhosa a tecnologia para quem precisa das ferramentas para viver melhor e mais feliz, para quem tem insônia, diabetes, taquicardia... Mas é mais feliz saber que teve 5 ciclos com REM completo ou acordar, abrir a janela, dar aquele "bom dia, dia" (que eu amo), olhar para o céu, agradecer, respirar o ar fresco que entra, e dizer para si mesmo se acordou descansado? olhando um gráfico na tela do celular? 

Obsessão por dados, comparação com outras pessoas, hipervigilância...

Depois de 24h com um holter e uma manhã de teste na esteira, meu cardiologista me liberou do relógio: "Ih, vai ficar noiada!" disse ele, desincentivando o uso. 

Estou pensando aqui, quais monitoramentos eu faço? Peso as minhas comidas. Acompanho meu ciclo menstrual há quase 6 anos pelo aplicativo Clue. Faço exames de rotina. É isso. 

Faço exercícios para quê, mesmo? Para ser feliz! Escutar uma música, mexer no ritmo, me movimentar, suar, sentir o calor na pele, sentir o suor salgar e transpirar, sair de cabelo molhado, corpo quente, rosto vermelho, respiração ofegante e que acalma, me sentir viva e desfrutando do corpo que vivo. 

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.