Semana do dia 26 de maio ao dia 01 de junho de 2025
Looks
A maioria das mulheres que eu conheço, quando vão viajar, me pedem ajuda para montar a mala. Empresto muitas coisas, vou até a casa delas ou elas vêm até a minha, e passamos horas vendo o que elas têm no armário e que poderiam combinar e usar. Isso é basicamente um trabalho de stylist: o que combinar com o quê. Elas ficam impressionadas com as possibilidades com as peças que já têm no armário. Eu e meu namorado vamos passar a primeira quinzena de junho na França: dessa vez, resolvi fazer uma sessão comigo mesma. A diferença foi que, ao invés de só selecionar o que combinaria, me dediquei literalmente da cabeça aos pés e, dessa vez, com fotos. Foi maravilhoso e essencial: mesmo que tenha escolhido, por exemplo, que a roupa combina com um brinco dourado, a foto vai entregar qual dos brincos fica mais harmônico, traz mais brilho e presença. Entre duas bolsas de mesmo tamanho e cor, na foto, é claro qual destoa e qual enfeita. Pensando em fotos de viagem e uma vida intensamente fotografada, é até gostoso escolher roupas com cores que combinam com o cenário a ser visitado. Em busca de praticidade (e beleza), essa foi perfeita: para cada ocasião, sei, além da roupa, desde o sapato, a bolsa, o colar, o brinco, até o penteado.
Armário
Aprendi — não quer dizer que sempre aplico — uma técnica para atualizar o armário, armários/pertences em geral. Começar por um cômodo, um armário, uma estante ou gaveta. Tirar tudo dessa gaveta. Passar um pano cheiroso nessa gaveta. Pegar cada coisa dessa gaveta e — talvez se perguntar também, como uma Marie Kondo, qual sentimento esse objeto me traz e se for bom, manter — seguir o seguinte esquema:
Eu amo? — Sim. — É útil? — Sim. — Deixar à vista, fácil acesso, etc.
Eu amo? — Não. — É útil? — Não. — Descartar (vender, doar etc)
Eu amo? — Não. — É útil — Sim. — Se for algo que dê para trocar por algo que ame e seja útil, melhor.
Eu amo? – Sim. — É útil? — Não. — Se for alguma memória, alguma peça que não use mas queira guardar, apenas armazenar e não precisa deixar de tão fácil acesso. Se amar mas não for útil no momento, pode ser que precise: passar por uma lavanderia, uma costureira para um reparo ou um ajuste, uma sapataria, etc.
Qual seria uma boa frequência para fazer isso? A cada nova estação?
Manequim
Há alguns dias, em uma sessão de provas de roupas no atelier, eu, que, além de elaborar as peças, ainda faço questão de provar cada uma delas para entender/aprovar o caimento e conforto, percebi que estava fazendo muito malabarismo/contorcionismo para conseguir visualizar a roupa. Tanto para vestir, quanto para fazer. Então, me dei conta de algo óbvio: precisamos de mais modelos de prova e precisamos de um belo busto de costura. Uma das melhores partes do processo de fazer roupas é enfim vê-las vestidas em alguém. Todo o primor das técnicas, toda a preocupação com tecidos e a escolhe de fios, toda a atenção dedicada à modelagem e aos detalhes do caimento: o quanto tudo isso enfeita, o quanto tudo isso agrega à presença e à postura de quem veste, é tão bonito e satisfatório de ver ganhando vida! Sempre, ao fazer mulheres e clientes felizes, e também muito antes ao ver as peças sendo vestidas quase prontas pela primeira vez. Mas até chegar lá, antes mesmo de passar pelas costureiras, testo volumes, cores... e isso precisava ser feito enfim em um belo manequim. Já tinha alguns no atelier... mas durante essa prova de roupas me lembrei de um sonho antigo: ter um manequim, um busto de costura, igual aos que eu usava no Studio Berçot em Paris, a base das criações dos grandes ateliers de alta costura. Um busto de costura Stockman. Então, com a iminência da viagem à Paris, o sonho começou a ter uma aura de realidade! Comecei a pesquisar qual seria o modelo de busto ideal, qual seria o tamanho... enviei um email para obter mais informações e logo Emmanuel, o responsável do showroom em Paris, me retornou com os valores, as possíveis medidas e prazos.
Busto - Cintura - Quadril - Altura das costas até a cintura
Escolhi um tamanho 40, já que minha cintura costuma ficar por volta dos 71cm de circunferência... o quadril já estaria entre um 42 e 44! Daí vêm as dificuldade da padronização de tamanhos para produção em série ou ainda a inclusão de vários formatos de corpos. É difícil prever quantos tamanhos produzir para quem tem uma cintura 38 com quadril 48, ou para quem tem um busto e quadril 42 mas uma cintura 44, e por aí vai... isso demanda uma profundidade gigantesca de estoque, um orçamento consequente para comprar insumos para produzir todas essas peças, uma aposta muito grande na encomenda, e até muitos resíduos pensando em todas as peças que podem não vestir e vender.
Escolhi um tamanho que se aproximasse mais do meu corpo, já que sou eu quem crio e provo inicialmente, a cintura é a mesma circunferência que a minha, o busto um pouco maior, o quadril bem menor — pensando que a maioria das peças que vestimos é pela cabeça ou a estrutura vem da parte de cima (como bustiers, blusas, vestidos, saias, jaquetas, casacos...), é mais fácil acrescentar centímetros para o quadril depois.
Descobri que esses manequins são todos feitos sob encomenda, com pelo menos quatro semanas de antecedência! Quando enviei o primeiro e-mail, já estava a 3 semanas de viajar...