Dia das Mães, Substack e Revistas de Molde

Semana do dia 05 ao dia 11 de maio de 2025

 

Dia das Mães

Fui passar o final de semana de Dia das Mães na casa da minha mãe no interior de São Paulo. Dá uma paz voltar, dormir em um quarto bem escuro, com silêncio à noite e com pássaros de manhã e uma janela que dá pro verde.

Cheguei lá ainda durante a semana e aproveitamos que estávamos só nós duas para assistir TV e ficar comentando sobre o tapete vermelho do MET Gala. Afinal, é uma festa à fantasia, ou seja, é para ser extremo ou é para demonstrar bom gosto e beleza? 

No domingo, a família do meu namorado veio para o almoço e ele trouxe uma orquídea para minha mãe. Mães amam orquídeas, né? Engraçado que as orquídeas são tantas e variadas que são sempre um bom presente. Quem nunca ouviu "ai, eu amo Phalaenopsis" (já vejo as brancas), ou um "a Vanda é maravilhosa, rara..." (já lembro da minha avó, Wanda com W). 

Eu presenteei a mãe dele com uma cúrcuma: eu e minha mãe fomos ao Ceasa e tinha flor de cúrcuma por toda a parte. Conhecemos a raiz e seus benefícios, mas não sabíamos até então que dava uma flor rosa tão linda.

 

Substack

O assunto do MET Gala estava em alta no Substack, especialmente em perfis de moda em inglês. Fiz mais uma breve visita ao aplicativo. É engraçado ver o quanto já está desenvolvida fora do Brasil essa rede social: algumas newsletters já têm milhares de seguidores, milhares de assinantes. É impressão minha ou esse modelo de assinatura de conteúdo não pega muito entre os brasileiros? Eu mesma não me imagino aderindo. É uma coisa meio cultura do gato? Ou já pagamos caro por muitos serviços, muitos monopolizados?...

Bem, eu amava consumir conteúdo escrito na internet e a atual vontade coletiva parece se enveredar nessa direção... mas vejo essa vontade indo especialmente na direção de sair de plataformas em que todo mundo está, indo para sites e espaços mais intimistas, mais pontuais também, sem aquela rolagem infinita. A mim também esse formato inconclusivo sempre deu uma certa angústia. Agora vejo mais uma gota de conteúdo, um gole de café... ou não também. Estamos em um tal emaranhado de virtual com digital que, lá, o assunto é escrever online sobre ficar offline... nem comecei a consumir e já cansei...

 

Revistas de Molde

Aproveitei que estava em Campinas para conhecer novas costureiras na região, incluindo Americana e Santa Bárbara do Oeste. Passamos sexta e sábado fazendo isso.

Conheci a Vilma, que me impressionou especialmente. Deixei com ela um vestido que tinha começado espontaneamente, virou de festa e precisava ser concluído: franzi à mão um tafetá changeant verde e preto e apliquei esse tecido, ele virou corpo e saia em um bustier dourado que já tinha feito em crochê; ela acrescentou uma saia transpassada preta de seda em viés arrematada perfeitamente com uma barra de lenço, além de bojos e forros impecáveis costurados à mão no crochê. Fiquei mesmo querendo folhear as várias revistas de molde que ela tinha cuidadosamente arquivadas e organizadas por ano em estantes. 

Há alguns anos, em uma das minhas visitas à minha amiga que mora em Munique — aliás, hoje ela mora em uma cidade vizinha —, aproveitei para passar algumas tardes na Biblioteca de moda de lá, a Von Parish Kostumbibliothek. Muito da minha pesquisa aconteceu nas revistas de "Schnittmuster", "molde" em alemão.

Os vários quadros que decoravam as paredes da biblioteca, onde passei horas conversando com as bibliotecárias no jardim durante uma pausa coletiva para lanche, também me inspiraram a criar, na época, uma pasta no Pinterest com o tema "Women Doing Needlework", "mulheres fazendo trabalhos manuais". A imagem dessas mulheres me passa mesma impressão de tempo suspenso vivido ali naquelas pausas naquele jardim. 

Na mesma ocasião, a sogra da minha amiga me mostrou um caderninho que ela fez na escola: páginas já um pouco amareladas, mas com conteúdo perfeitamente conservado, das aulas de "Economia Doméstica", com pequenas amostras de trabalhos manuais de costura. E, para mim, o mais impressionante: até técnicas de cerzido. As técnicas de cerzido são algo que eu não domino ainda mas acho fascinantes e valiosíssimas: nelas, restauramos pequenos desgastes em tecidos, malhas — isola-se a região a ser trabalhada e, com alguns fios e agulhas, tenta-se imitar a estrutura original recriando localmente a trama e o urdume do tecido. É maravilhoso! Tenho um quimono de seda que era da minha avó, em um jacquard de fundo vermelho todo desenhado, com motivos em diversos tons pastel contornados de dourado... um cerzido aqui ou ali manteria a memória intacta... mas, por enquanto, esse quimono segue no armário. 

Fui presenteada com esse caderninho-tesouro da sogra da minha amiga. Fiquei na dúvida se guardava para mim... mas, como me aconselhou um amigo, o tesouro merecia ficar no museu... e lá está, na Von Parish Kostumbibliothek.

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.