Concerto, Japonesa e Fluxo de Consciência

Semana do dia 19 ao dia 25 de maio de 2025

 

Concerto

Neste domingo fomos pela segunda vez assistir a um concerto na sala de Teatro B32 que, para quem não é de São Paulo, fica na Faria Lima e tem uma escultura enorme de uma baleia na frente. É o prédio da baleia. 

Da primeira vez fomos com um casal de amigos, que convidou a mim, meu namorado e meu pai — meu pai é frequentador assíduo da Sala São Paulo, sede da Osesp, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Assistimos ao Réquiem (missa fúnebre) em Ré Menor de Mozart (um dos quatro integrantes do coro era o professor de música do meu namorado em tempos de escola — "laaacrimoosa"). Neste domingo agora, assistimos à Sinfonia "Eroica", de Beethoven, e ao Concerto para Violino em Ré maior, Opus 35, de Tchaikovsky (o spalla da Osesp foi o solista). 

A Sala São Paulo, toda amadeirada, com iluminação impecável, é em si um acontecimento. Já nos concertos do Teatro B32, o que me toca é a diversidade da orquestra. Os músicos são (aparentam ser!), em sua maioria, muito jovens e diversos. Tem um que me lembra meu primo de recém completados 18 anos. A regente é uma mulher. No final do concerto, uma criança (a filha dela?), entra para entregar flores. Representatividade importa.

 

Japonesa

No sábado fomos a mais um restaurante sugerido pela nossa amiga que passou praticamente um ano viajando pelo Sudeste Asiático. Outro dia, foi um coreano. Desta vez, um japonês. Mas o que eu gosto mesmo, e até agora não comi no Brasil, são os Bobuns, um prato vietnamita. Onde será que tem por aqui? Eu comia sempre no restaurante le petit cambodge em Paris, onde tristemente aconteceram os atentados do dia 13 de novembro de 2015. 

Foi no le petit cambodge que eu descobri o que é coentro fresco. Eu me lembro exatamentente de pensar "como não me apresentaram isso antes???". Pensei mais ou menos a mesma coisa ao provar um tempero com amendoim. Talvez eu goste mais disso do que de um prato de massa. Seria demais dizer que gosto mais do que de estrogonofe?

Outro lugar onde esse sabor de amendoim em prato do Sudeste Asiático é inesquecível para mim é em um restaurante de Munique (seria o Jiaokitchen?), onde fui com minha amiga que mora lá e mais uma turma de amigos. Neste restaurante nós mesmos montamos os pratos e não me sai da cabeça a imagem da folha transparente do papel de arroz com que fiz meu rolinho primavera (caprichei no recheio, viu). Água na boca. Em Munique também, em outra ocasião, em outro restaurante, pedi um chá de gengibre: me esquentou um tanto! Ainda mesmo no frio congelante que fazia na cidade, muito bom aquele calor que vinha de dentro.

 

Fluxo de Consciência

A Beatriz, minha "editora", me indicou a leitura de um conto de Virginia Woolf: "A Marca na Parede". Fiquei impressionada. Como se assemelha ao jeito que eu escrevo! É claro, sem pretensões, mas muito estranho ver esse reflexo na escrita, não no conteúdo, mas na forma. A primeira vez que li algo, ou a primeira vez que me lembro de ter lido algo, em "fluxo de consciência", foi em um conto americano, durante a aula de "AP English", que é um curso de nível universitário para alunos do ensino médio, na Escola Americana onde estudei durante alguns anos. Tive dois professores preferidos (amo professores), o Mr Kuczynski e a Ms Buchholder (agora não me lembro como escrever o nome dela, infelizmente). Não sei qual dos dois nos apresentou em aula esse jeito de escrever. Eu me lembro da mulher passando roupa em "I Stand Here Ironing", da Tillie Olsen, e achar aquilo muito moderno. E, mais atual ainda, em "Telephone Call", da Dorothy Parker: a protagonista parecia uma adolescente como as que eu conhecia, esperando por um telefonema de um carinha. E, em seguida, do amarelo em "The Yellow Wallpaper", da Charlotte Perkins Gilman, e de escutar que o termo "histeria" reforçava um estereótipo do gênero feminino como uma loucura derivada do útero (deve ter sido a Ms Buchholder que leu em sala). Quando fiz uma breve formação em teatro, no Cours Florent em Paris (onde também estudou a Amélie Poulain Audrey Tautou!), escolhi o texto para interpretar em monólogo. A atriz Gabriela Duarte estará em cartaz na FAAP com uma adaptação do texto até o final de julho. 

 

 

Links da semana

A teoria do útero errante

Gabriela Duarte em "O Papel de Parede Amarelo e Eu", na FAAP 

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.