Semana do dia 17 ao dia 23 de março de 2025
Peixes
Para comemorar o aniversário da mãe do meu namorado, fomos jantar no Banzeiro, restaurante Amazônico em São Paulo.
Eu acho tão engraçadas essas sonoridades da nossa língua. Tacacá é caldo de tucupi. O que é tucupi? É aipim, é mandioca, é macaxeira. Matrinxã, um dos peixes, e Pirarucu e Tambaqui. Tucumã vai no X-Caboquinho e é coquinho. E pucuxi?
Pilates
Eis que a mãe do meu namorado e a minha mãe fazem aniversário no mesmo dia. As duas são de "Peixes".
Então, antes de jantar em São Paulo, passei o dia com minha mãe em Campinas. Uma ocasião especial. Meu irmão, que mora no Amazonas, e minha tia e tio, que moram na Inglaterra, estavam também presentes!
Já acordei por lá, para aproveitarmos desde cedo o dia juntas. De uns tempos para cá, a convite de suas amigas, faz parte da rotina da minha mãe o pilates de manhã, alguns dias da semana. Fui com ela. Minha primeira vez fazendo pilates no tal do "reformer", o aparelho. Quando eu estudava na Sorbonne, uma das minhas eletivas foi Pilates, no chão, com tapetinho, bola... Eu me lembro apenas que uma vez o professor pediu para eu demonstrar como fazer o exercício pois estava indo muito bem: segundo ele, naquele exercício, era preciso estar com as costas apoiadas no tapetinho, a ponto de não deixar passar nem uma folha sulfite. Ele colocou um elástico bem fininho entre minhas costas e o tapetinho e pediu para eu executar o exercício enquanto ele puxava o elástico. Com a pressão das costas contra o tapete, graças à força do abdômen, ou do "core" como o chamam na modalidade, o elástico não deveria sair do lugar, e não saiu.
Voltando à Campinas, no pilates com minha mãe, o ambiente era muito agradável: na casa de um casal de fisioterapeutas; enquanto eu fazia a aula, admirava na parede as várias fotos em preto e branco feitas pela filha do casal. Esculturais. As portas da sala se abriam para uma piscina azul e um jardim verde, impecavelmente cuidados.
Como trilha sonora para o dia, minha mãe escolheu Alexandre Pires. "Eu Sou o Samba" — ela ama essas músicas animadas, “com surdo, cuíca, tamborim, repique”, e eu também!
Notei a diferença de ambiente quando fui experimentar uma aula em um studio em São Paulo no domingo daquela mesma semana: luz neon, batida forte, pesinhos... não me conquistou.
Gershwin
Na quinta-feira, meu pai me mandou uma mensagem que costuma enviar com frequência e de surpresa: filha, tenho dois convites para a Osesp hoje, quer ir?
Fomos então, eu e meu namorado. Dois assentos privilegiados, próximos ao palco, na fileira central.
No programa, resumindo: jazz feito por uma orquestra.
Afinal, quem é quem? Bernshwin, Gernstein, não, Bernstein, Gershwin, ok.
Leonard Bernstein — escreveu "West Side Story", o musical.
George Gershwin — escreveu "An American in Paris", trilha para o musical de mesmo nome.
Meu pai disse que gosta muito de "Rhapsody in Blue", do Gershwin. Eu adorei aprender, ao ler as notas do programa, que o "Blue" do nome faz menção à blue note do jazz, e que serve então como um trocadilho, ao invés de incluir no nome da obra a nota, como em B (Si) Menor por exemplo.
Também gostei de saber que, quando o empresário que convence Bernstein a enfim escrever uma peça de teatro, “para trazer a orquestra para o contemporâneo”, ele se refere a "Sagração da Primavera", de Stravinsky, que foi apresentada pela primeira vez em Paris no Teatro dos Champs Élysées (na presença da mademoiselle Chanel, inclusive), como trilha para os Ballets Russes, de Serghei Diaghilev, e com figurino de Léon Baskt. Fico também feliz em me lembrar que vivenciei um pouco disso enquanto morava em Paris, respirava esses ambientes e essa história: no terraço do último andar do Teatro das Champs Élysées, que fica na Avenue Montaigne, eu e minhas amigas frequentávamos uma "balada" que se chamava Maison Blanche; fui a algumas exposições, na Opéra de Paris, dos desenhos e figurinos de Léon Bakst e dos Ballets Russes; e, de volta à São Paulo, vi amigos tocarem a "Sagração da Primavera" de Stravinsky na Sala São Paulo.
Bernstein, depois desse argumento, escreve então "West Side Story", famoso musical sobre um romance à la Romeu e Julieta, transportado para as ruas de Nova-Iorque.
Demos muita risada (em silêncio, foi dificílimo) quando os músicos da orquestra batucaram e cantaram em uníssono: HEY!
Também foi a ocasião de escutar uma première, a primeira vez que a obra foi tocada ao público: "Revolve", de Andrew Norman, uma encomenda da Osesp para a comemoração de seus 70 anos. Achei incrível! Cinematográfica, espacial, sons que eu ainda não tinha escutado tocados por uma orquestra, em movimentos circulares, com crescendos, descrecendos, como ondas e vibrações no Espaço, mas o espaço tem som?
Links da semana
Alexandre Pires e Seu Jorge, "Eu Sou o Samba", ao vivo, em vídeo no Youtube
Livreto em PDF, em francês, com a história do Teatro dos Champs Élysées
A importância dos Ballets Russes na vida de Pablo Picasso: casa-se com Olga, bailarina
Exposição no Museu Picasso de Paris, "Olga Picasso", em 2017 (ainda morava em Paris mas não fui à essa), com introdução da Conservadora do Museu, e descrição; Picasso influencia estilo de Jacquemus.
Trailer do filme "Coco Chanel e Igor Stravinsky", que eu esqueci que tinha assistido
Exposição na Opéra de Paris, que devo ter ido com meu pai, "Bakst: des Ballets Russes à la Haute Couture", sobre a obra do figurinista Léon Bakst e sua influência na Alta Costura, de Yves Saint Laurent à Karl Lagerfeld. Em vídeo no Youtube.
Exposição sobre Bakst no MET, em Nova-Iorque, com desenhos belíssimos dos figurinos e objetos de cena, incluindo...... UM TEAR!
O programa da Osesp, na Sala São Paulo, do dia que fomos, em pdf, e em vídeo no Youtube.
Filmes para assistir: Maestro, de 2023, sobre a vida do Leonard Bernstein, na Netflix; West Side Story, de 1961, no Prime Video.