Listas, Temas e CDs

Semana do dia 14 ao dia 20 de abril de 2025

 

Listas

Sabe quando dizem, como se fosse um gesto feminista, que uma mulher deveria elogiar a outra com descritivos que vão além de "linda"? E sobre os superlativos "incrível!", "maravilhoso!" (quando não se resume a "mara!"), com o insuportável "surreal!", como ir além? Como descrever com mais cor nossa felicidade, nosso amor? Ou, sabe, então, quando, vez ou outra, escutamos um tapa de luva de pelica verbal que, além de um pouco de ironia, talvez arrogância, exija, com certeza, vocabulário? Tenho vontade de listas. Sempre tive. Listas de elogios. Agora, obcecada por yoga, como descrever e entender ou dar nuance a um sentimento que está entre a tristeza e a raiva ou a irritação? Listasde emoções. De verbos. De palavras. De listas.

 

Temas

Além das listas, temas: quantas vezes já escutei alguém na mesa ao lado pedir "um Chardonnay", ou, ainda, sentados à mesa do restaurante, carta de vinhos em mãos, olhar para cima para o sommelier e escutar dele "depende, esse é um Cabernet Sauvignon, vocês preferem algo mais ou menos tanino?" E já que, agora enquanto escrevo, a fome veio para harmonizar, a "sauce béarnaise" é a declinação de qual molho e é feita de quê mesmo? Molhos, uvas, regiões... O que conhecemos da pré-história de cada continente? 

Parece que uma tarde e uma folha sulfite... uma tarde mapearia aqueles temas recorrentes, que gostaria "de uma vez por todas" de parar para entender, aprender. Qual o segredo para saber sem esquecer?

 

CDs

Quando eu era criança e morava em Sousas, passava horas no sofá escutando CDs inteiros. Das Chiquititas, passando por Blackstreet Boys. Nessa época ainda entreguei a capa do álbum em uma barraquinha da quermesse para estamparem ali na hora em uma camiseta, me lembro de algo cinza, será que era a capa do "Millenium"? Também me lembro que, como era a capa aberta, ficou até o grampo do panfleto do álbum estampado na camiseta. Ia de Lulu Santos a Dire Straits. Foi assim que aprendi, reticente em acreditar na distância entre os termos, que "Once Upon A Time" (já escuto "Once Upon A Time In the West"), com "O"s "N"s e "U", poderia significar "Era Uma Vez". Também achei estranhíssimo como "Sunny Side Up" é como chamam "Ovo Frito". Ainda nessa busca para traduzir, com minha coleção de dicionários, eu e minhas amigas não conseguíamos de jeito nenhum entender como, quando as Spice Girls diziam "When two become one" significava algo "safado", segundo a irmã de uma delas que não explicou o porquê. Perguntamos para a professora de inglês na escola, mas não me lembro se ela confirmou. Lembro da coreografia que fazíamos com os dois dedos virando um. 

Tive recentemente a vontade de escutar um álbum do início ao fim. Percebi então que essa vontade não era só minha, acho que agora é mais da internet. Por esse dias entrei no Substack, que é praticamente uma rede social de newsletters, e percebi o quanto se fala disso: o tema principal, pelo menos o que apareceu para mim, parece ser "falar online sobre ficar offline". 

Ao perceber a incongruência da tendência, minha vontade de ouvir um CD do início ao fim, de vasculhar nas caixas e coisas e encontrar meu CD player, talvez até um iPod, foi embora. Acabou. 

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.