Semana do dia 24 de fevereiro ao dia 02 de março de 2025
Carnaval
No Carnaval, fomos para Paraty em turma de amigos. Ficamos numa casa perto do Centro Histórico. Todo dia, depois do café da manhã, íamos a pé até o porto e pegávamos o mesmo barco para curtir o mar. De noite, íamos para o centrinho jantar e ver o bloco passar. Personagens gigantes, com máscaras enormes feitas de papel machê, que ficam andando pelas ruas e interagindo com as pessoas: ver os Bonecões foi o que eu mais gostei do Carnaval de Paraty. Não sou muito do fantasmagórico e do assustador, mas gostei do exagero das proporções, do colorido, do estranho. Me lembrou bastante de um tema recorrente durante meus estudos de História da Arte na Sorbonne: as "grimaces", caretas em francês. Por falar nisso, na Pont Neuf, a "Ponte Nova" que é na verdade a mais antiga de Paris, mais de 380 mascarões estão esculpidos e, na televisão francesa, um programa de marionetes em caricaturas gigantes satiriza os políticos em "Les Guignols".
Para além de uma certa sensação de tempo suspenso que aquelas máscaras me trouxeram — talvez pela emoção fixa das máscaras coloridas perambulando pelas ruas de paralelepípedo entre as casas brancas com janelas azuis e amarelas do período colonial — me lembrei especialmente de uma exposição que fui no Museu d'Orsay assim que me mudei para a França, sobre um pintor belga que até então não conhecia: James Ensor. Rostos flutuantes, perdidos? na tela...
Moana
Dos dias no mar, surgiu uma nova paixão: stand up. Foi a primeira vez que fiz e logo amei. Amei ficar em pé na prancha: sinto o prazer de ficar em pé como sinto no yoga, me equilibrando, me concentrando, curtindo ao mesmo tempo a vista em volta. Passear em pé no mar é paradisíaco: ver por outra perspectiva a paisagem, a praia.
Meu namorado só conseguia dizer "você ama o mar, né, meu amor". Virou quase um bordão.
No último dia da viagem, vimos o pôr do sol no mar: a turma no barco e eu na prancha. Remava e admirava a lua crescente no céu.
Até que uma amiga exclama, "gente, lá vai longe nossa Moana!"
"Gabriela, Cravo e Canela"
Em uma das tardes, paramos para almoçar numa praia. Alguém pediu o drink clássico de Paraty, o "Jorge Amado". O garçom sugeriu um "Juliana". Dessa lista de nomes, veio uma conversa quase etimológica. "Juliana", de Juliana Paes, a atriz que protagonizou a versão mais recente da novela "Gabriela, Cravo e Canela". Mas se quisesse acho que também teria o "Sônia", da Sônia Braga, a primeira a interpretar a personagem que vem do livro de mesmo nome de Jorge Amado.
Eu me lembro, quando era ainda adolescente e fui para Itacaré com minha mãe e meu irmão na casa de amigas dela — um verão maravilhoso, que fiquei praticamente irreconhecível de tão bronzeada — pela primeira vez vi um homem subir no coqueiro para pegar côco. Nesse dia, corri na praia e, na volta, uma roda de capoeira que esperava a gente no pôr do sol se transformou, com meninas dançando no centro, em uma roda de samba contagiante. O peixe que almoçávamos era pescado ali, e a cachaça que tomavam era feita pelo pai de outra amiga da minha mãe. Me lembro que naquela viagem fomos também para Ilhéus, onde sentei ao lado de uma escultura do Jorge Amado, que é de lá. Devo ter lido em seguida, para a escola ou por que tive vontade, "Capitães da Areia" e "Gabriela, Cravo e Canela".
Jorge Amado, aquele coquetel de Paraty, é feito com a cachaça local, que se chama Gabriela e tem um toque de cravo e de canela.
Jorge Amado: Cachaça Gabriela, limão, maracujá e gelo.
Juliana: Cachaça Gabriela, limão, morango e gelo.
Sônia Braga: Cachaça Gabriela, limão, abacaxi e gelo.