Camembert, Merceries e Gilberto Gil

Semana do dia 07 ao dia 13 de abril de 2025

 

Camembert

Quase que me emociono com um Camembert. Como é feito? De onde vem? Assistimos por acaso a um vídeo sobre esse queijo no Youtube. Para mim a beleza está naquilo que, com o sabor, vem o cuidado com as vacas, vem também o sabor e a cor da grama verde que a vaca comeu, os ares da região que respirou, os arredores, os perfumes das plantas... é essa mesma magia que está viva na uva do vinho, na oliveira do azeite, ... na ovelha da lã e do cardigã.

Cada produto regional é um manifesto sensível, quase poético, sobre autenticidade, sobre origem e conexão com o que é feito com as mãos, com o tempo e com a alma.

É sobre quem conhece a terra, as estações, o cheiro das plantas ao redor. O sabor vem de algo muito maior do que a receita. Vem do lugar, do silêncio, da rotina dos dias. Do que a vaca comeu e respirou, da brisa que carregou os aromas circundantes das redondezas, seja do roxo da lavanda ou do amarelo do pasto, do frescor da relva, da umidade delicada que repousa na grama pelas manhãs. É sobre isso acontecendo nas estações, há gerações. A sabedoria de alguém que aprimorou, que ensinou, que cuidou. Talvez com as mesmas pessoas, talvez com quem quis se mover e aprender. 

Isso me move. Faz parte de mim. É, no fundo, um desejo de revelar e celebrar a vida. Procurar as origens. Prolongar o lugar, o tempo, o gesto. É saborear o intangível daquele instante, daquilo que carrega o mundo ao redor. Daquilo que não pode ser feito de outro jeito, em outro lugar. Na verdade, que pode ser feito de outro jeito, em outro lugar, mas será então outro, e terá — trará consigo — aquele jeito, aquele lugar. 

Fazer o que só eu poderia fazer. Criar coisas que só podem existir porque eu existi. Experimentar o que só um outro alguém poderia fazer. Criar coisas que só podem existir por que um outro existe. 

 

Merceries

A Geni, não a do Chico Buarque, mas a mãe da Maisa, minha amiga dos tempos de Escola Americana, me enviou uma mensagem contando que está morando em Paris e me perguntou onde poderia aprender bordado, especialmente o de Luneville, e onde poderia comprar materiais. Ao respondê-la, me senti passeando por Paris.

"Oi, Ge! Que bom ter notícias suas! Que gostoso que estão morando em Paris! Por quanto tempo? Qual a ocasião?

Para fazer aula de bordados, sei da Lesage que é um atelier que faz para a Chanel. Me lembro que alguns amigos fizeram aula lá, e vi nesta página que eles têm aulas de curta duração. Eu iria lá pessoalmente conhecer e me informar! Os ateliers comprados pela Chanel estão reunidos no 19ème, onde talvez também aconteçam oficinas. No Viaduc des Arts também tem uma sequência de ateliers maravilhosos. 

Sobre armarinhos, eu ia bastante no Marché St Pierre pra tecidos. Estou tentando me lembrar onde via fios, fitas, botões...

Lembro que quando cheguei em Paris essas merceries eram, como diziam, "lojas dos judeus" e depois viraram "lojas dos asiáticos", foram mudando de perfil com o passar dos anos. 

Tinha a Fils 2000, a La Droguerie...

La Boutique Modes & Travaux, essa é ótima, bem organizada...

E tem um armarinho memorável onde entrei um dia virando a rua de onde eu fazia spinning, ao lado do metrô Quatre Septembre — era como uma caixa de tesouros mágica... Ultramod Mercerie.

Me conte quando for! Espero que curta o passeio!!!"


Gilberto Gil

Foi ele inaugurar o palco e cantar o "subo nesse palco", que as lágrimas vieram, desceram, não se contiveram! Aquele homem, brasileiro, negro, de 82 anos, diante de um estádio lotado, feliz, cantando. Um totem.

Que presença, que vida. A produção e as cores honravam a banda quase orquestra e metade família — um filho na bateria, uma nora no coro, ... Foi tão maravilhoso ver aquele movimento, história de vida e música, domínio da palavra e da onda do som, indo de um dançante disco, senhor santuário do samba, MPB versus AI-5, passando pelo rock, reggae religião, forró com fé, funk. Esquece "trintei"! E as mulheres na menopausa! O que são esses tempos que querem ter mais tempo mas acreditam que não têm, e vivem como se não tivessem? 

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.