Cálice, Leituras e Jazz

Semana do dia 21 ao dia 27 de abril de 2025

 

Cálice

Maravilhosa a interpretação do Gilberto Gil no show, depois de um vídeo introdutório do Chico Buarque (que era meu vizinho em Paris, mas essa história fica pra outro dia), da música Cálice. Cale-se. Que genialidade no uso de palavras! Eu e o pai do meu namorado ficamos conversando, no final de semana de Páscoa, sobre o brilhante domínio da letra, por Chico Buarque. Começamos falando de Cálice, que, além de uma bela ambiguidade que de dúvida não traz nada, é uma proparoxítona. Ele me contou então que foi a partir dela que Chico teve idéia de fazer a próxima: Construção. Outro poema cantado, que narrativa... talvez eu tenha me esquecido de quando eu estudei a letra na escola, e, pela primeira vez, percebi que é inteira de proparoxítonas na última palavra de cada verso. Como ele compôs isso? Imagino que ele tenha (como quero ter) se divertido ao criar (e como pretendo fazer) uma lista de palavras. Aliás, várias listas de várias palavras.

 

Leituras

E o que ler? Toda hora dá vontade de ler algo novo. Não quer dizer que eu tenha terminado o que estava lendo antes. Mas, assim, sabe aquela revisão que fazemos em aniversários, em viradas de ano, enfim, eu sempre, desde sempre, quis ler tudo. Mas um tudo bem específico — toda a Bíblia, toda a literatura brasileira que cai nos vestibulares e a que conta a história da maestria da nossa escrita, toda a obra de Shakespeare, todas as origens das mitologias gregas, todos os filósofos, tudo. E aí então quando estudei História da Arte, queria ler o que Van Gogh escreveu para seu irmão Theo, o que cada artista escreveu sobre sua obra... quando vou parar para fazer essa lista de leitura essenciais? Tem um Hamlet e dois Homero aqui na minha estante... 

 

Jazz

Esta semana é sobre listas. 

Fomos almoçar no domingo em um restaurante do Shopping Iguatemi que eu e minha mãe adoramos, que eu e meu namorado também vamos. Nas paredes, além de um espelho retangular alongado que reflete os convives, outros que com seus oxidados refletem o tempo, muitas fotos, pôsteres, sobre jazz. Quantos músicos maravilhosos! Quantos festivais anunciados com belíssimas disposições de fontes e cores. Os jogos americanos que vêm nas mesas são de papel e cada um tem algumas dúzias de músicos, acompanhados de uma foto de perfil e mini biografia. E aí, entre uma taça de vinho e uma fatia de queijo, cresce a minha vontade de pedir, "garçom, me vê por favor um de cada desse jogo americano?", voltar pra casa e listar. Listar e ouvir! 

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Sobre ISABELA MONTEIRO

Isabela Monteiro estudou História da Arte e Arqueologia na Sorbonne e se formou em moda no Studio Berçot em Paris, onde morou por 10 anos antes de retornar ao Brasil para lançar sua marca homônima em São Paulo.

A marca traz para a contemporaneidade, por meio de fibras nobres e cores vibrantes, as técnicas artesanais que Isabela aprendeu com as avós e com a admiração pelas mulheres da família.

Suas coleções são elaboradas com tecidos festivos e peças exclusivas desenvolvidas e feitas à mão por ela e sua equipe de artesãs brasileiras.